Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A Jornada de um Estudante

Um Blog sobre aprender, ensinar e criar online.

A Jornada de um Estudante

Um Blog sobre aprender, ensinar e criar online.

a3fcd9a2e910994f48ad9b2291ba0616.jpg

Imagem retirada de: https://www.pinterest.pt/pin/474918723187318415/?nic_v2=1a2nljNPR

A educação que vemos nos dias de hoje, em que um professor se junta a um grupo de alunos para ensinar um determinado tópico, nem sempre foi assim. E, para perceber como chegámos até aqui, temos de voltar atrás alguns milhares de anos.

Antes do aparecimento da agricultura, os povos dedicavam-se à caça e à coleção para obterem alimento. Para isto, eles tinham de ter elevados níveis de conhecimento para poderem fazer o que faziam de forma eficaz e segura, tais como: saber os hábitos dos animais que caçavam, que animais caçar, como prepará-los para comer, como matar, tinham de saber também a época dos frutos e sementes que coletavam, onde costumavam aparecer, como se comiam e muitas outras coisas. Informações essas que só eram obtidas com o explorar e aprender fazendo.

Nessa altura, as crianças desses povos aprendiam observando o que os adultos faziam. Exploravam e brincavam com o que tinham.

Com o aparecimento da agricultura, muitos desses costumes mudaram. Os povos perceberam que cultivando conseguiam facilmente maiores quantidades de alimento e de forma mais segura.

Da mesma forma que os povos mudaram com a agricultura, também o status evoluiu. Quem tinha posse de terras aproveitava-se de quem não tinha, explorando-os. O tempo das crianças que antes era a explorar o mundo e a aprender com ele, agora era passado a trabalhar nos campos ajudando a sustentar a familia.

Mais anos passaram e, com a indústria, o feudalismo diminuiu. Não melhorou a vida das crianças uma vez que os donos extraíam delas o maior número de horas de trabalho possíveis. Trabalhavam quase todo o dia, sete dias por semana, terminando com a implementação da legislação que limitava o número de horas de trabalho semanal das crianças. Apesar disso, a carga horária continuava elevada.

Com a indústria cada vez mais automatizada, o trabalho infantil diminuiu. Com isto, começou a ideia de que as crianças precisavam de aprender temas específicos. 

Inicialmente, a educação baseava-se no ensino da leitura e da religião. Só mais tarde, quando se começou a preparar os jovens para o exército é que se incutiu matérias como lições de moral, latim e matemática. Sendo que aí, o método de ensino já era muito parecido com o dos dias de hoje: um professor com alunos numa sala de aula, que preparou anteriormente o que vão aprender naquele dia.

Desde então até agora, pouco mudou. E o tempo que as crianças tinham para brincar desde o aparecimento da agricultura, pouco aumentou também. As horas que outrora passavam no campo a tentar ajudar o sustento para a família, são as horas que hoje passam numa sala de aula e em casa a fazer os trabalhos para o dia seguinte. Estudos científicos mostraram que um terço das crianças com idades compreendidas entre 5 e 12 anos, passam menos de uma hora por dia na rua. Tempo esse que é inferior ao que os prisioneiros têm de recreio nos dias de hoje [1].

Concluindo, como vimos, há alguns milhares de anos atrás, com todo o tempo livre que as crianças tinham nas mãos elas conseguiam aprender muito. Hoje, já não têm esse tempo todo disponível. Mas, será que se elas o tivessem de volta conseguiriam aprender na mesma? Conseguiriam elas aprender na mesma tudo o que lhes é ensinado na escola hoje em dia? Na verdade, sim, conseguiam. Mas essa é uma história para outro dia.

Notas:

[1] - https://fee.org/articles/inmates-spend-more-time-outside-than-kids/

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.